Como é do conhecimento de todos, hoje faço anos. Desde cartas, mails, sms, "vai bugiar", já recebi de tudo um pouco. É bom fazer anos...até aos 25. Vinte e oito começa a ser preocupante. Sendo os 29 um domingo à noite que antecede a inevitável segunda, eu já estou no domingo à tarde e isso é aborrecido. Estes aniversários já não são recebidos com aquele entusiasmo juvenil, mas mais como um momento de introspecção. Pode-se dizer que é aquele dia em que se analisa o estado da nação. Como foi o passado, o que tenho feito no presente e o que perspectivamos para o futuro. Estou mesmo a pensar redigir um discurso sobre mim.
"Dirijo-me a todos quantos sempre acreditaram em mim. Aqueles que na presença do meu primeiro berro disseram sem hesitações "ai, que menina tão fofinha!". Aos que, assistindo incrédulos ao meu primeiro chichi, exclamaram "com mil diabos, esta miuda faz chichi de forma esquisita". A todos quantos sempre acreditaram que eu teria todas as condições de beber muita cerveja e arrotar condignamente, apesar do primeiro arroto ter sido farto em leite azedo a escorrer pelo babygrow. Aqueles que disseram imediatamente que eu seria um pessoa extremamente concentrada naquilo que faria, bastando terem visto a forma como ficava estático a olhar para o vazio sem me deixar importunar por qualquer foco de desconcentração e dessa forma construía valentes amontoados de poo-poo dignos de figurar em qualquer almanaque subordinado ao tema. Áquela cigana que uma vez terá dito para a minha mãe que eu iria deixar muitas mulheres sem dormir. Ainda hoje, a altas horas da noite, percorro a lista telefónica para cumprir à risca esse desígnio. Á minha professora da primária que no primeiro dia de aulas e enquanto nos mostrava as instalações me concedeu um valente puxão de orelhas por estar na conversa com uma miuda. Foi a minha primeira vez. Queria agradecer igualmente aos meus pais por escolherem para primeiro desporto que eu pratiquei, a ginástica. Questiono-me se nessa altura ainda estariam convencidos que eu era uma menina. Agradeço igualmente a todos os colegas de trabalho do meu pai por terem sido sempre inexcedíveis nos conselhos sobre mulheres. Nem o facto de eu ter 5 ou 6 anos de idade os deteve. Revelaram-se uns excelentes formadores. Acho que por volta dos 8 anos estaria perfeitamente habilitado para ser actor porno. Agradeço acima de tudo a todos os meus amigos que nunca me negaram companhia para "mais uma" mesmo que estivessemos ambos numa valeta a falar sobre o cultivo da beringela ou a discutir acerrimamente "tu é que és o maior"..."não, tu é que és"..."dá-me cá essas bochechas meu diabrete"..."venham daí esses ossos para um valente xi-xiu coração".
Palminhas!Palminhas!Palminhas!
quarta-feira, 4 de março de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário