segunda-feira, 30 de março de 2009

Reunião de condomínio

Na passada quarta-feira tive a minha primeira reunião de condomínio. Até esse dia, sempre tive bem presentes todas as possibilidades maravilhosas da vida em comum com várias mulheres. Não raras vezes, enquanto pousava os pés na mesa da sala, abria a 10ª mini e me preparava para a 4ª hora consecutiva a ver futebol, era transportado pela minha imaginação para outra dimensão da minha existência. Um existência em que tinha uma mulher a massajar-me os pés, outra a abrir-me a cerveja e a descascar-me os amendoins, outra ainda a afagar-me o cucuruto da moleirinha e mais uma ainda que percebesse alguma coisa de futebol e pudesse debater comigo a dinâmica defesa-ataque subjacente a um modelo táctico de pressão alta e posse de bola assente num 4-4-2. Pós-quarta-feira (dia fatídico da reunião), tudo mudou. Estou bem assim, muito obrigado. Imaginar que, durante essa mesma tarde de futebol, estaria em discussão o ponto 3 da agenda de trabalhos que contempla a aprovação do orçamento para aquisição mensal da revista Caça e Pesca causa-me alguma urticária. Em vez de receber uma massagem nos pés estar a levar com a alínea a) do ponto 3 do artº 735 do código cinegético. As minis e amendoins a serem substituidos por análises custo-benefício da aquisição desse item. Em troca dos afagamentos na cabeça, receber estudos cientificos sobre a relação entre a sobre-pesca do barbo e a propagação incontrolável de nenufares. Em vez de debates interessantes sobre futebol, levar com debates sobre a necessidade de proteger as giestas que por sua vez dão guarida às crias de perdiz. Bem me queria parecer que por algum motivo havia tanto consenso na questão da monogamia. A vida comunitária é muito complicada. Não posso deixar de notar que no Islão não deve haver reuniões de condomínio. Só assim se explica a associação entre 70 virgens e paraíso.

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