quinta-feira, 18 de junho de 2009
Supersticioso eu? Não, que isso dá azar!
Até onde vai a irracionalidade humana? Da minha parte vai até ao ponto de achar convictamente que o Jesus nos vai levar ao título. Para muitas pessoas vai ao ponto de achar que uma tesoura aberta ou passar por baixo de um escadote é mau agoiro. Como escrevi à tempos em relação a expressões figurativas, acho fascinante como se formam estas, vamos pôr nestes termos, idiotices. Um tipo deixa uma tesoura aberta na secretária, tenta fazer um golpe de wrestling apesar dos repetidos avisos para não tentar qualquer daqueles golpes em casa, enfeixa-se numa estante e coleciona alguns hematomas e escoriações. No dia seguinte conta a história no trabalho: "...epá deixar a tesoura aberta é que me tramou...dá cá um azarucho..." E assim começa um fenómeno imparável de palermice. Num outro dia um colega desse tipo sai de casa sem chapéu de chuva e apanha uma valente molha. "Irra, não devia ter deixado a tesoura aberta...afinal é mesmo verdade!" Quem diria, chuva em pleno Abril. O que acho curioso é que supostamente o azar é um fenómeno intemporal, mas que é supostamente despoletado por objectos contemporâneos. Estão uns bichanos muitos sossegados a pastar e esventrar outros bichanos, vem um meteorito desembestado, atinge a terra e extingui-os. Que eu saiba nenhum triceratop deixou uma tesoura aberta ou nenhum velocireptor deixou um chapéu de chuva aberto na sua gruta. Ainda assim podemos dizer que, com toda a infinitude do universo, vir um meterorito colidir com um pontinho insignificante desse universo foi um valente galo (olha uma daquelas expressões). Não deixa de ser curioso que muitas pessoas afirmam claramente não ser supersticiosas, mas depois evitam acções que são apontadas como imans de azar. Está um escadote aberto no caminho. É mais directo passar por baixo, mas também não custa muito passar ao lado. Como se, mesmo passando ao lado, não pudessemos ir na rua e passar-nos um camião TIR pelo lombo. Irra, que imagem medonha. Então até à próxima que vou mas é bater 3 vezes em madeira...nunca se sabe!
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