quarta-feira, 3 de junho de 2009

Vão pentear macacos!

Vivo fascinado por expressões figurativas. Sim, não são só seios e ancas serpenteantes que preenchem a minha lista de fascínios. Bem sei que neste momento deverão estar a questionar-se o que tanto me encanta em determinadas expressões para as pôr ao nível de mamilos. Permitam que me explique. Tomem como exemplo a expressão "está frio para burro". Ora, quem é que terá criado esta expressão, quando e em que circunstâncias? Será que estava um aldeão no quentinho da lareira e ao ver um burro na rua com estalactites de gelo a pender-lhe do nariz exclamou "está frio para burro"? Ou será que estava um lampião a ver um jogo e quando estava a comentar que estava frio, o Di Maria pegou na bola e rematou de meio campo "está frio para...burro!!!". E o que explica a sua longevidade? Estou a imaginar, no mesmo dia da criação dessa expressão, um concelho de anciões a discutir a melhor forma de qualificar o estado do tempo. "Bom, a temperatura apresenta um nível bastante baixo, gélido até." "Podemos dizer que atravessamos uma fase marcadamente glaciar." "Enfim, está frescote!". "Olhem lá e porque é que não utilizamos a expressão do Tonho Matateu, está frio para burro!". Silêncio. Mais silêncio. Alguns sussurros. Ovação. E assim ficou. Não sei se já fizeram este exercício, mas sempre que ouço uma expressão deste género explico-a mentalmente. Como fiz por escrito sobre o frio para burro. É bastante divertido. Quase tanto como estar intermitentemente a retirar uma chupeta a um bebé e vê-lo berrar em desespero. Como esta, há imensas expressões (o título do post) que qualificam certas situações, mas que literalmente não têm sentido absolutamente nenhum. Ainda assim perduraram e nós adoramos usá-las. Fascinante!

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